Festival de Danças Negras tem programação gratuita no Recife

Festival segue até domingo (17) com entrada franca; Confira a programação deste fim de semana na Caixa Cultural, Teatro Apolo e Paço do Frevo

Texto: Lenne Ferreira | Imagem: Rennan Peixe

“O corpo negro come?”. É a partir dessa indagação que  o coletivo Gira Ara Dúdú realiza a 1ª edição do Festival de Danças Negras. Neste fim de semana, o evento, que iniciou no dia 09 de dezembro, ocupa o Paço do Frevo, o Centro Cultural Apolo-Hermilo e a CAIXA Cultural Recife com oficinas, espetáculos, instalações, videoperformances, além de diálogos sobre os corpos que se movem diasporicamente. A programação do Festival conta  com acessibilidade linguística por meio da Libras.

Na noite desta sexta-feira (15), às 18h, na Sala Multimídia acontece um dos momentos mais esperados do Festival, “Negras Homenagens”, que vai celebrar a contribuição artística de três nomes da Dança pernambucana: Raquel Araújo, Limão e Tonho das Olindas. Na programação do fim de semana tem ainda nomes como Akuenda Translésbicha, Iara Izidoro, Orun Santana e Luciane Ramos Silva (SP), entre outros/as/es. O encerramento do Festival, no domingo (17), conta com a performance Macumbaria com Quilombo do Catucá (PE).

A Gira Ara Dúdú é uma iniciativa encabeçada pelas dançarinas Jamila Marques, Renata Mesquita e Dandara Marques, todas mulheres negras, mães, artistas e pesquisadoras que juntas formam o núcleo “Ara Agontimé”. O Festival, que é uma das ações do coletivo de pesquisa, também conta com a coordenação de curadoria, realizada por Sophia Williams e Diogo Lins.

“O festival surge com o objetivo de refletir sobre o legado ancestral da memória e cultura dos corpos negros dançantes que tecem histórias na cidade do Recife e no Estado de Pernambuco. Nossa temática também busca a reflexão sobre as nutrições do corpo desde o nascer, seus deslocamentos nas tessituras e dramaturgias do existir e, ainda, como são moldados e incorporados padrões que violentam nossas vidas e adoecem nossos corpos”, explica Renata Mesquita.

A etapa inicial foi concluída após a divulgação do resultado do chamamento público, que ficou aberto de 21 de agosto até 25 de setembro. Todas as videodanças e apresentações de trabalhos dos Giras de experimentos dançantes (GEDs) foram voltadas para pessoas negras (autodeclaradas pretas e pardas), quilombolas e indígenas de todo o Brasil. (confira a lista no site oficial – https://www.aragontime.com.br/).

Dos oito estados brasileiros que participaram do chamamento público, metade foi do Nordeste. Além de Pernambuco, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte realizaram a inscrição. Pará, Goiás e Rio de Janeiro, mais o Distrito Federal, foram os outros participantes.

“A Gira Ara Dúdú existe para juntar saberes negros por meio da dança, da performance, do espetáculo, da oficina, dos grupos de experimentos dançantes, das videodanças e das apresentações de pesquisa, e de toda a arte. A gente chega para potencializar a cadeia produtiva artística das pessoas negras. Desta forma, dezenas de profissionais fazem essa mobilização dentro e fora de Pernambuco para ampliar o aquilombamento pelo Brasil”, ressalta Dandara Marques.

A equipe técnica do festival é formada por Aline sou (gestão mídias sociais), Daniel Lima (assessoria de imprensa), Diego Amorim (design), Gabi Izidoro (produção), Línea Guimarães (identidade visual), Marconi Bispo (redes sociais e texto), Rennan Peixe (audiovisual) e Sérgio Lelo (arte e tecnologia), além de Dandara Marques, Jamila Marques, Renata Mesquita na coordenação.

Festival também ocupou a pauta do Centro Cultural Daruê Malungo Crédito: Demison Silva

A programação, que iniciou no dia 09 de dezembro também passou pelo Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, que funciona em Peixinhos. Contemplado pelo edital Sistema de Incentivo à Cultura (SIC 2020/2021), o festival tem o apoio da Prefeitura do Recife e do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura 2020/2021), do Estado de Pernambuco.

SEXTA (15/12)

Caixa Cultural Recife
10h às 18h – Instalação de Arte e Tecnologia – ARA [Corpo] de Lelo (PE) – Local: Cofre – Galeria 19h às

12h – Oficina para Criança de Escolas Públicas com Maria Livreira (PE) “Mojubá: Corpo em Movimento com as brincadeiras africanas de Weza” – Local: Oficina 114h às 17h – GEDs Giras de Experimentos Dançantes – Mediação e Curadoria: Diogo Lins (PE) – Local: Oficina 1, Sala multimídia e Octógono

1) A Luz do Terreiro
Emerson Dias (PE)
Exibição de vídeo

2) Sem Folhas não há Òrisá
Lua Maria (PE)
Performance

3) Ekó, Dança das Yabás
Ester Soares (PE)
Processo Criativo

4) Corpo coco: dos ombros, ancas e pés
Una (PE)
Prática artístico-pedagógica em Danças Negras

5) Dança Nagô: potência negra ancestral dos Ensinamentos de Mãe Amara

Olefun Helaynne Sampaio Viana (PE)
Experiências, vivências, escrevivências em Danças Negras

6) Raízes Negras
Orí Cia de Dança (PE)
Performance

7) Nas Giras e Encruzilhadas: Corpo, voz e movimento como instrumento pretagógico e caminhos para cura.
Moabia Ferreira, Deybson de Oxalá, Danielle Vieira, Elaine de Oxum (PE)
Práticas artístico-pedagógicas em Danças Negras8)

Yalomi elas são rios que navegam nas lembranças
Raquel Araújo (PE) e Gleice Barbosa (PE)
Performance

17h às 19h – Solenidade Negras Homenagens – Local: Sala Multimídia

Centro Cultura Apolo Hemilo 

20h30 – Espetáculo: O agora Não Confabula com a espera – Iara Izidoro (PE)
Classificação: 12 anos
Tempo: 75 min

SÁBADO (16/12)

Caixa Cultural Recife
10h às 18h – Instalação de Arte e Tecnologia – ARA [Corpo] de Lelo (PE) – Local: Cofre – Galeria 1

13h às 16h – GIRA – Afrofagia: O que alimenta o corpo negro?, com Iara Izidoro (PE), Tieta Macau (MA/CE), mediação e debate Akuenda Translésbicha (PE). Local: Sala Multimídia

18h às 20h – Mostra Negra de Videodanças – Mediação e Curadoria: Sophia Wiliam (PE). Local: Sala Multimídia:

1) A dança do fogo (classificação livre)
Ruanda (PE)

2) Andanças (classificação livre)
Rayane Nátale Calixto (MG/RN)

3) Corpo Baldio (classificação livre)
Guilherme Allain (PE)

4) Escuta (classificação livre)
Camila Ribeiro (GO)

5) Ire (classificação livre)
Luís Eduardo (DF)

6) Oyá (classificação livre)
Odara Nur Mahin/Resistência Bellyblack (RJ)

7) Negrume da Guerra (classificação: 12 anos)
Victor Freitas (CE)

Centro Cultural Apolo-Hermilo

9h às 12h – Oficina com Luciane Ramos Silva (SP) – “Corpo em diáspora”

20h – Espetáculo: Rezos pra rasgar o mundo – Tieta Macau (MA/CE)
Classificação: LIVRE
Tempo: 45min a 1h

17/12
9h às 12h – Oficina – Reocúpelve com Briê (PE)

DOMINGO (17/12)

Caixa Cultural Recife
10h às 18h – Instalação de Arte e Tecnologia – ARA [Corpo] de Lelo (PE) – Local: Cofre – Galeria 1

09h às 12h – Oficina – Orun Santana (PE) para Crianças “Orun pra Erê”- Local: Oficina 1

10h às 11h – Mostra Negras de Videodanças. Local: Sala Multimídia

Paço do Frevo

14h às 16h – GIRA: Pensar diasporicamente – corpo negritude, tremores e conjunturas com Luciane Ramos Silva (SP).

16h às 18h – Macumbaria / Apresentação GEDs com Quilombo do Catucá (PE).

Escrito por:

Lenne Ferreira

lenneferreira.pe@gmail.com

 @lenneferreira