Miró da Muribeca ganha escultura no Circuito da Poesia

O momento contou com os versos de Odailta Alves, Marlon Silva e Nina Rodrigues na apresentação de “O Miró que Vive em Mim” 

Texto: Maya Santos | Imagem: Marcos Pastich

Na última terça-feira, 12 de março, a cidade do Recife completou 487 anos de sua fundação. Na comemoração, os recifenses apreciaram a inauguração da estátua de Miró da Muribeca, localizada na Avenida Rio Branco, no Recife Antigo. O momento contou com a performance “O Miró que Vive em Mim”, onde os poetas Marlon Silva, Nina Rodrigues e Odailta Alves deram voz aos versos do homenageado.

A festa iniciou com uma apresentação de frevo. Em seguida, descobriram a estátua e o som dos aplausos tomou conta do lugar. Em vida, e até mesmo após seu falecimento, o poeta influenciou a trajetória de diversos artistas que entraram em contato com seus escritos. Ao portal Afoitas, Nina Rodrigues, uma das poetas que homenageou Miró, falou sobre como a estátua demarca a importância da produção protagonizada por pessoas negras.

“Quem conheceu o Miró sente que ele era uma entidade viva e, hoje, saber que ele é a segunda estátua de um poeta negro depois de décadas é muito gratificante”, afirmou a poeta. Nina nasceu no bairro do Ibura, na periferia da Zona Sul do Recife, e destacou: “Ele é o poeta da periferia, das ruas, do gari, do trabalhador, do peão mesmo, de quem vivia no cotidiano. Ele era isso, emblemático. Então, representar Miró nessa poética, nessa homenagem é de uma emoção gigantesca que eu nem ‘tô’ me contendo de alegria”.

Três poetas da RMR homenagearam Miró da Muribeca. (Foto: Marcos Pastich)

 

Durante a performance, Marlon, Odailta e Nina revezaram as récitas que iam dos escritos do poeta homenageado até suas próprias produções. Marlon, cantor e poeta nascido em Muribeca, se emocionou ao falar da relação com Miró. “Viver esse momento é mágico porque ele me possibilitou lá atrás, como eu falei mais cedo na publicação, essa convivência de estar perto. E hoje poder ser ponte para o futuro na inauguração da estátua do cara que me fez ser o que eu sou hoje, é quase, é quase não morrer, ‘tá ligado?’ É me permanecer vivo por muito tempo!”, disse Marlon.

“Vai ficar no meu coração e eu tenho certeza que esse momento vai ficar também no coração de muita gente. O poeta não morre, ele se eterniza e hoje aqui eu acho que eu viro essa chave  e eu acabo me eternizando por estar num momento tão histórico para a cidade do Recife no aniversário de quatrocentos e oitenta e sete anos homenageando o que para mim foi o maior poeta do planeta”, finalizou o cantor.

Ao final da apresentação do trio de poetas, o microfone ficou aberto para que outros escritores e fãs de Miró pudessem prestar suas declarações. Alguns nomes conhecidos como Renna Costa, Bicicastelo e o Menino do Violino participaram do momento de homenagem. A estátua do poeta foi assinada pelo escultor Demétrio Albuquerque, especialista na confecção de monumentos em cimento, resina e bronze.

Odailta e Marlon declamaram poesias do poeta homenageado. (Foto: Marcos Pastich)

Escrito por:

Maya Santos

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