Mãe Beth de Oxum denuncia falta de estrutura para a cultura popular no Carnaval de PE

Patrimônio vivo de Pernambuco, Mãe Beth publicou imagens que comprovaram o descaso com o grupo Coco de Umbigada no Recife e em Olinda: “Uma imagem vale mais que mil palavras”

A ialorixá, brincante e mestra da cultura popular, além de Patrimônio Vivo de Pernambuco, Mãe Beth de Oxum, demonstrou sua indignação com o tratamento dado aos artistas da Cultura Popular no Recife e em Olinda durante o Carnaval. A líder do Coco de Umbigada estava entre as atrações do Polo da Lagoa do Araçá, na região sul da capital, mas não contou com a estrutura necessária para apresentação do grupo. Em sua rede social, ela publicou um relato sobre a experiência de se apresentar no chão “sem acesso a estrutura de camarins, banheiros e até mesmo água”. Outro episódio ocorreu em Olinda, onde o grupo teve a alimentação servida no chão do camarim.

“O Carnaval de Recife é celebrado por sua rica diversidade cultural e musical, no entanto, lamentavelmente, os diferentes polos revelam profundas desigualdades dentro da própria festa”, escreveu a artista que virou um nome relevante para a cultura pernambucana por seu ativismo politico e cultural. “Sou Patrimônio Vivo de Pernambuco, cantei com meu Coco de Umbigada com dez integrantes, mas, apenas três microfones foram disponibilizados, limitando a nossa capacidade de expressão artística e contribuição para a festa. Esta injustiça não apenas evidencia a falta de equidade, mas um profundo desrespeito pela diversidade cultural brasileira”, pontuou.

Para Mãe Beth, essa disparidade entre “os privilégios concedidos aos artistas da mídia nacional e as condições precárias oferecidas aos representantes da cultura popular é uma demonstração contundente de desigualdade e falta de valorização das raízes culturais locais”.

Em Olinda, no Polo Cariri, no bairro de Guadalupe, outro episódio gerou a revolta da artista, no seu companheiro, Mestre Quinho, e nos filhos e filhas que compõem o Coco de Umbigada. Atração do dia 10 de fevereiro, ela chegou animada para se apresentar em um palco que já conhece bem e que ajudou a fundar. Mas o entusiasmo logo se transformou em decepção quando, ao chegar no camarim, o grupo não tinha cadeira para sentar ou mesa para se alimentar. A comida foi servida no chão. “Eu pedi desculpas aos meus filhos, minha filhas e meus músicos e afirmei o racismo estrutural dessa ação que serve o alimento dos músicos no chão depois de uma apresentação no palco”, comentou a mestra ao lado de Mestre Quinho em um vídeo publicado nas redes sociais. “Uma imagem vale mais que mil palavras”, dizia uma inscrição sobre a imagem do grupo no chão do camarim.

Nos comentários no post, o Coco de Umbigada recebeu o apoio de fãs, artistas e admiradores. Vereador em Olinda, Vinícius Castello (PT) escreveu: “Lamento muito que tenhas que passar por isso, Mae Beth. Não só pela tua trajetória e a todos que estão na construção do fortalecimento da cultura popular na nossa cidade, mas principalmente porque destratar quem faz dessa cidade única e referência cultural no mundo é inadmissível”. “É baque em cima de baque! A base do Carnaval, dos ciclos todos do ano sendo tratada dessa forma!! Que pesadelo!”, disparou a cantora Karina Buhr. Isaar pontuou: “Não é admissível isso acontecer em nenhum Polo, muito menos nesse. Onde se apresentam os pilares do nosso Carnaval. Sinto Muito, Mãe Beth!”.

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Afoitas Jornalismo

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