Encontro da Rede de Mulheres de Terreiro reflete sobre a perpetuação dos valores afroancestrais

“Ibejis: a continuidade do axé” é o tema do Encontro que coloca crianças e adolescentes como protagonistas das religiões de matriz africana que são afetadas pelo racismo religioso

Texto: Lenne Ferreira | Imagem: Elza Medeiros

No dia que reforça a luta contra discriminação racial, o Ilê Obá Aganjú Okoloyá – Terreiro de Mãe Amara, promove o 17º Encontro da Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco. A entidade aproveita a efeméride para abordar a temática “Ibejis: a continuidade do axé” como forma de discutir estratégias coletivas para a manutenção das tradições afroacentrais tão violentadas pelo racismo religioso. O encontro acontece nesta quinta-feira (21), das 10h às 18h, e conta com a presença da Yalorixá Maria Helena Sampaio, fundadora e conselheira religiosa da Rede, além de outras lideranças religiosas que estarão reunidas no Terreiro de Mãe Amara, em Dois Unidos.

O objetivo do encontro é debater e pensar ações concretas para o cuidado e a atenção às crianças e adolescentes de terreiro, a partir das especificidades que vivenciam dentro e fora dos Ilês, e o papel dos/as mais velhas/os no fortalecimento e acolhimento das gerações mais jovens que representam a base da continuidade do axé do povo de terreiro. Olefun Helaynne Sampaio, Yalaxé do Ilê Obá Aganjú Okoloyá – Terreiro de Mãe Amara de tradição Nagô, que cresceu dentro do terreiro, compreende a importância das tradições de matriz africana para a formação de cidadãos e cidadãs pretos/as mais conscientes de suas identidades. “O encontro e união entre mulheres e pessoas negras é muito importante para que possamos romper as estrutura racistas, misóginas e  potencializar a nossa existência e o nosso axé”, afirma Olefun.

O racismo religioso faz vítimas no Brasil todos os anos. De acordo com um levantamento inédito sobre as religiões de matriz africana no país realizado em 2022, 78,4% de pais e mães de santo brasileiros já foram alvo de violência, seja por intolerância ou por racismo religioso. A pesquisa foi coordenada pela Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro) e pela entidade Ilê Omolu Oxum e mostrou que 91,7% ouviram algum tipo de preconceito por conta da religião escolhida. Foram entrevistados 255 lideranças de terreiros do Brasil que atuam em diversas regiões.

A Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco fundada em 2005 pela Ìyá Maria Helena Sampaio Oyá Tundê dentro do Ilê Obá Aganjú Okoloyá nasceu justamente com o objetivo de afirmar e fortalecer a identidade das mulheres de terreiro e suas atuações de impacto social e combater o racismo religioso. “A Rede nasceu dentro de um terreiro matriarcal com essa força de afirmar e potencializar as identidades das mulheres de terreiro e suas ações políticas. Estamos sempre juntas para ocupar espaços de poder, liderança e protagonismo. Para que possamos circular de forma saudável e feliz onde a gente queira estar e viver”, pontua a Yalaxé.

Durante o encontro, as lideranças religiosas vão refletir sobre o papel dos diferentes atores e atrizes da sociedade para fortalecimento das crianças de terreiro a partir das necessidades específicas nos territórios que vivem e espaços sociais que frequentam.  Ao longo de todo o dia, acontecerão mesas, rodas de conversa e debates coordenados por nomes como a Yabassé e advogada Vera Baroni, Mãe Clécia de Oxum e Ialorixá Ceiça Axé.  O encerramento do evento será marcado pelo lançamento da 1ª Rede e Marcha das Crianças e Adolescentes de Terreiro.

“Nossa Yá, Maria Helena, pensou na criação dessa rede como forma de envolver crianças e adolescentes de terreiro que também circulam, que também são vítimas de racismo no chão da escola e em diversos outros espaços que habitam e vivem. É uma forma de estarmos juntas delas ensinando o letramento racial e fazendo com que sintam orgulho de ser uma criança negra e de terreiro porque eles são a nossa continuidade e futuro, são eles que vão manter viva a nossa essência quando estivermos no Orun”, conclui Yalaxé Olefun. Interessados/as podem se inscrever para participar do encontro AQUI.

Confira programação completa a seguir:

10h – Abertura Religiosa: Mãe Clécia de Oxum Bakundê

10h10 – Mesa Política de Abertura
Coordenação: Iyabassé Vera Baroni

11h10 às 11h40 – Palestra: “O FUTURO É ANCESTRAL”
Palestrante: Eliana Falayó – Ekedy De Oyá do Ile Omo Agboulá, Ilha de Itaparica, BA
Coordenadora da Mesa: Iyalorixá Ceiça Axé

11h45  às 12h30 – Esclarecimentos, Dúvidas, Debate, Propostas

12h30 – Almoço

14h às 14h15 – Cochicho sobre a Palestra
Coordenação: Abiã Lis Santos

14h15 às 14h45 – Apresentação dos Cochichos

14h45 às 15h – Síntese dos cochichos e Encaminhamentos
Coordenação: N’ifá Lhaysa Brito e Agibonã Marília Gomes

15h00 às 15h40 – Homenagens
Coordenadora – Iyalaxé Helaynne Sampaio e Pai Neto de Osá

15h40 às 16h – Espetáculo de Contação de História por Ekedi e Apetebi Kemla Baptista

Confira programação completa a seguir:

10h – Abertura Religiosa: Mãe Clécia de Oxum Bakundê

10h10 – Mesa Política de Abertura
Coordenação: Iyabassé Vera Baroni

11h10 às 11h40 – Palestra: “O FUTURO É ANCESTRAL”
Palestrante: Eliana Falayó – Ekedy De Oyá do Ile Omo Agboulá, Ilha de Itaparica, BA
Coordenadora da Mesa: Iyalorixá Ceiça Axé

11h45  às 12h30 – Esclarecimentos, Dúvidas, Debate, Propostas

12h30 – Almoço

14h às 14h15 – Cochicho sobre a Palestra
Coordenação: Abiã Lis Santos

14h15 às 14h45 – Apresentação dos Cochichos

14h45 às 15h – Síntese dos cochichos e Encaminhamentos
Coordenação: N’ifá Lhaysa Brito e Agibonã Marília Gomes

15h00 às 15h40 – Homenagens
Coordenadora – Iyalaxé Helaynne Sampaio e Pai Neto de Osá

15h40 às 16h – Espetáculo de Contação de História por Ekedi e Apetebi Kemla Baptista

16h às 16h30 – Lanche

16h30 às 17h – Encerramento com Pai Cleiton, Coral Amadé Korin e Lançamento da Rede das Crianças e Adolescentes de Terreiro

Escrito por:

Lenne Ferreira

lenneferreira.pe@gmail.com

 @lenneferreira